Uma impressionante renovação urbana em Seul

Cheonggyecheon, na Coréia do Sul, já foi um esgoto coberto com concreto e muito trânsito
Uma impressionante renovação urbana em SeulO caso da recuperação do canal Cheonggyecheon, que fica a aproximadamente 3 quilômetros da Universidade Feminina de Ewha, na Coréia do Sul, exemplifica como uma cidade pode mudar os seus padrões de crescimento, restaurar um importante e antigo canal urbano ao seu papel natural e gerar um dos mais interessantes espaços públicos para a população, uma verdadeira renovação urbana. 
O Rio Cheonggyecheon foi construído durante a Dinastia Joseon (1392-1410) e tinha a função de dreno para a cidade. Esse córrego sobreviveu durante centenas de anos, até 1940, quando a cidade se tornou populosa e se fixou em torno do córrego. Gradualmente, o córrego foi coberto por concreto e nos anos de 1976 cerca 6 km de vias elevadas foram construídos acima dele.

Isso tudo começou com o crescimento econômico da Coréia do Sul. A cidade começou a se expandir e, com isso, desenvolveu novas infra-estruturas e rodovias para atender à demanda do crescente número de veículos. Somado ao aumento da população que precisava de mais vias para sua locomoção, o antigo canal que atravessa o centro de Seul se tornou praticamente um esgoto a céu aberto. E assim acabou soterrado em baixo de uma movimentada via expressa. Na época, a via foi considerada um exemplo de sucesso da industrialização, mas com o tempo ela se tornou num símbolo da degradação das cidades e do desenvolvimento a qualquer custo.
Mas a idéia de substituir a estrada começou em 1999 quando a Câmara Municipal de Seul precisou fechar uma das três artérias rodoviárias da cidade. Paradoxalmente, com o fechamento da via eles descobriram que os volumes de viagens de carro caiu substancialmente. E isso é um exemplo do Paradoxo Braess, que afirma que: “Removendo o espaço em uma área urbana e diminuindo a capacidade extra dentro de um sistema de rede viária, pode-se diminuir o trânsito de automóveis em geral.”
Cheonggyecheon 14Dessa forma, o prefeito de Seul começou a fazer lobby de uma importante iniciativa para eliminar a auto-estrada. Em julho de 2003, urbanistas decidiram derrubar a auto-estrada para revitalizar a área e ajudar Seul a se tornar uma cidade moderna e ecologicamente correta como parte de um vasto projeto de revitalização urbana. A via foi removida e o córrego foi recuperado e transformado em um impressionante parque urbano linear de 5.8km de extensão, 400 hectares e 80 metros de largura.
No trabalho de revitalização, mais de 75% do material da demolição da antiga via foi reutilizado para a construção do parque e reabilitação do córrego. Hoje, peixes, pássaros e insetos voltaram a povoar o local. E a área em torno do parque é em media 3.6 graus Celsius mais baixa do que em outras partes da cidade.
O projeto de restauração do Córrego Cheonggyecheon levou em torno de três anos e custou por volta de 300 milhões de dólares transformando o afluente em um espaço urbano ambientalmente amigável para seus residentes e visitantes. Hoje, você encontra casais, famílias e amigos de caminhada ao longo das margens e na água rasa. Compare a mudança:
A remoção da antiga Cheonggye Expressway em Seul foi concluída em agosto de 2003. No entanto, três dos seus pilares de sustentação foram deixados no local como um símbolo da industrialização do país. A mensagem implícita é clara: ela procura significar para as futuras gerações a importância histórica desta restauração.Cheonggyecheon 17
O que era antes uma barreira soterrada entre o norte e o sul da cidade se transformou em um parque público para uso de 30.000 pessoas a cada fim de semana.
Considerado o ponto de partida da revitalização, a Cheonggye Plaza está localizada na extremidade onde é a fonte do rio. Ali tem uma réplica do antigo fluxo e uma cachoeira que dá início ao projeto.
Lá também está em exibição o “Banchado”, um retrato da procissão do Rei Jeongjo. Esta obra magnífica, de 63 páginas na sua forma original, mostra uma procissão composta por 1.779 pessoas e 779 cavalos com 5.120 cerâmicas em 630 metros de comprimento.
E para contar essa história toda, no extremo leste do rio está localizado o Museu Cheonggyecheon. Inaugurado em 2005, o museu oferece aos visitantes um olhar sobre a história e a cultura do córrego. A exposição permanente utiliza modelos em miniatura e apresentações de vídeo para contar a história de Cheonggyecheon.
Além disso, Seul também ampliou a malha de transporte público e fez mudanças no fluxo dos veículos que circulavam pelo centro da cidade. Como resultado, houve aumento do número de usuários optando por novos sistemas de transporte e na mudança de hábitos de viagem.
O projeto é incrível e nos faz ter esperanças de um futuro melhor para as grandes cidades. Claro que pra fazer isso é necessário lidar com processos difíceis, posturas e significativa complexidade técnica. Porém, tudo isso vale a pena em função de toda melhoria que uma mudança dessas proporciona para a cidade e seus habitantes.
Na pesquisa sobre Mobilidade Urbana que está em andamento, eu tenho aprendido que existem muitas outras maneiras de se locomover pelos espaços. Só é preciso dar essas outras opções de deslocamento para os cidadãos que eles farão uso e incorporarão as exigências de tempo e planejamento da viagem ao seu ritmo cotidiano.

Fonte: arquitetonico.ufsc.br

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