A poluição silenciosa

Difusa, ela degrada rios e provoca doenças. Mas há como evitá-la

Fernando de Barros

A água lava tudo, mas essa característica generosa da água, de solvente universal, é responsável, quando ocorrem as chuvas, pelo transporte de tudo quanto é agente poluidor, sólido ou líquido, para as bacias hidrográficas, principalmente as muito próximas das áreas urbanas que são fontes primárias das águas puras que nos ajudam a sobreviver. É a chamada poluição difusa, maior responsável, atualmente, pela degradação dos mananciais.

No campo e nas matas, quando chove, a água da chuva lava as matas e os campos e absorve tudo que entra em contato com ela, inclusive as impurezas. Nos ambientes urbanos, as águas da chuva lavam telhados, áreas de estacionamento de veículos, pátios de armazéns, depósito de materiais, ruas, calçadas e outros ambientes. Na rota das enxurradas, tudo quanto é tipo de detrito é carreado em direção aos cursos d’água; lá, vai contribuir para a poluição que degrada as águas.

A poluição difusa é a menos conhecida entre todos os tipos de poluição. Sua origem pode ser natural ou antrópica, isto é, causada pela ação humana. Ela é composta de impurezas, que têm maior dispersão no corpo hídrico, o que dificulta a quantificação e a caracterização da fonte poluidora.

A poluição difusa é a sujeira gerada pelos maus hábitos e a incivilidade da população, nas palavras do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. É impressionante a capacidade do brasileiro de gerar porcaria. Quase metade do orçamento da limpeza pública no Rio é gasta na varrição das ruas. E tudo isso contribui para outros problemas, como as enchentes e a proliferação de doenças, desabafa Paes.

Estudo interessante foi feito, em Curitiba, pelo professor Carlos Garcia. Ele analisou a poluição causada no Rio Belém por componentes de amianto presentes nas telhas de fibrocimento usadas nas construções na região metropolitana de Curitiba. O desgaste da telha foi avaliado através de um piloto que simulou um telhado, no qual a degradação ocorreu na camada superficial devido à umidade que deixa a telha porosa, propiciando o desprendimento das partículas.

Contra a poluição difusa, somente uma melhor educação da população (para não deixar lixo nas ruas e calçadas), varrição eficiente e bocas de lobo ecológicas (que impeçam que os resíduos graúdos entrem) e caixa de sedimentação de forma a reter os sedimentos, impedindo-os de serem encaminhados ao corpo hídrico. Esta é a poluição silenciosa que não aparece nas manchetes dos jornais, mas que causa doenças, para quem bebe a água destes rios.

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