Com R$ 30 bilhões Mata Atlântica recuperaria 18.000 km² de área desmatada

Mata AtlânticaR$ 30 bilhões é o valor que o Brasil precisaria investir para recuperar a mata atlântica. Nos últimos 28 anos, o país perdeu mais de 18.000 km2 de floresta, o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo. Segundo a ONG SOS Mata Atlântica, são gastos entre R$ 17mil e R$ 25 mil para plantar mudas em cada hectare, que corresponde a área de um campo de futebol.

A Mata Atlântica atualmente está reduzida a cerca 7,3% de sua extensão original, que abrange cerca de três mil municípios em 17 estados. O número está abaixo do recomendado por resoluções de biodiversidade da ONU. Especialistas afirmam que o reflorestamento não deve ser visto como solução e sim uma forma de amenizar o problema do desmatamento. Segundo a diretora da ONG SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, é preciso preservar o que ainda resta para evitar o trabalho de recuperação.


“É muito pouco o que resta e tudo o que resta deve ser protegido e preservado.”
Mas não basta plantar. O trabalho exige cuidado constante até que a região adquira as características iniciais de floresta, para que a nova vegetação se estabeleça no local. Esse quadro só aparece, geralmente, após três anos do plantio. O biólogo Rafael Fernandes, que há 10 anos trabalha com restauração florestal, ressalta que mesmo com o custo alto, os benefícios compensam.

“Benefícios são enormes. Especialmente para o controle de clima, você ganha um ambiente mais agradável. As plantas têm uma ligação direta com a ligação do ar e o controle da temperatura.”
Mesmo com alta de 9% na devastação do bioma entre 2011 e 2013, o Brasil é um dos países recordistas mundiais em biodiversidade, com cerca de 20 mil espécies de plantas. No entanto 8 mil são endêmicas, ou seja, só ocorrem nesse ecossistema e, se forem extintas na região, podem desaparecer do planeta. O diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, alerta que a compensação sem planejamento pode agravar o problema.

“Se for uma compensação pela compensação não resolve, só agrava o problema. Quando você faz o Plano Municipal de Mata Atlântica, identifica conectividades. Como o lugar em que eu vou plantar vai reconectar esse fragmentos? O grande drama é que nós vimos uma floresta imensa, em 17 estados, ser reduzida a milhares de fragmentos e pedaços.”

A restauração florestal é uma aliada para combater a crise hídrica e resgatar a integridade de sistemas de mananciais. O sistema Cantareira, em São Paulo, por exemplo, perdeu mais de 70% da sua cobertura verde. São Paulo e Recife estão entre as cinco metrópoles do mundo que podem obter maior retorno com investimento em restauração de nascentes, rios e lagos, segundo estudo global da The Nature Conservancy. O gerente de água da TNC, Samuel Barreto, acredita que o desafio é ter um banco de áreas e organizar a cadeia produtiva do reflorestamento.

“Hoje temos 150 mil hectares restaurados. Há um caminho longo pela frente. Apontamos para um incentivo importante e uma cadeia produtiva importante de alguns bilhões de reais que poderiam gerar emprego, benefícios sociais e econômicos e recompondo o papel que perdemos pelo desmatamento na natureza. Entre eles, uma melhor qualidade da água.”

O Ministério do Meio Ambiente lançou para consulta o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa. O Planaveg propõe plantio de 12,5 milhões de hectares de floresta nativa em 20 anos. No entanto, não foram estipulados prazos para receber comentários e nem indicação de quando o plano será colocado em prática.

Fonte: cbn.globoradio.globo.com

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