Como medir a sustentabilidade de uma cidade?


Em 2012, durante as campanhas eleitorais para prefeito de São Paulo, mais de 650 candidatos garantiram que, se eleitos, incluiriam o município no programa. Entretanto, ao final do evento, dos 200 vencedores apenas 42 aderiram ao plano.
Recentemente, com o propósito de reunir os indicadores dos municípios em um único espaço, foi criado o site do Programa (cidadessustentaveis.org.br). Os índices, que somam 100, envolvem temas como educação, saúde, cultura, economia e política. São 242 prefeituras contempladas, das quais 92 já iniciaram o preenchimento das categorias no site.
Considerado um dos principais, o indicador de saúde calcula, dentre outras coisas, a proporção de leitos hospitalares disponíveis a cada mil habitantes, conforme os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMG) e do Sistema Único de Saúde (SUS). A mortalidade infantil e materna, além das condições da saúde pública, também é configurada como primordial à avaliação.
Quando o assunto é cultura, a meta é alcançar a proporção de dois livros por habitante, máxima da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Para o saneamento básico, a mensuração se dá pelo número de residências que recebem o tratamento e a coleta de esgoto.
Infelizmente, por mais eficaz que pareça, a iniciativa ainda teve pouca aderência dos municípios. Por se tratar de uma realidade nova, muitos deles ainda se encontram em fase inicial de construção dos indicadores.
E o IDH?
Em linhas gerais, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede o progresso de um estado/país, por três principais âmbitos: renda, saúde e educação. Ainda que tímida, a semelhança aos objetivos do Programa Cidades Sustentáveis existe e propõe uma reflexão.
Para medir a saúde, o IDH considera a expectativa de vida da população; quanto à educação, a média de anos estudados pelo indivíduo retrata, amplamente, esse item; já a renda é aferida pela Renda Nacional Bruta (RNB).
Partamos do princípio de que medir o progresso seja de um país, estado ou cidade, não é tarefa das mais fáceis. No caso IDH, a visão proporcionada pelos resultados obtidos se revela, acima de tudo, generalista ao deixar passar muitos indicadores relevantes e inerentes ao desenvolvimento de uma nação.
O fruto dessa comparação (entre o IDH e o Programa Cidades Sustentáveis) aponta para a importância de analisar esse desenvolvimento por meio de todos os âmbitos possíveis necessários à dinâmica das cidades. Iniciativas políticas, níveis de satisfação e felicidade da população, investimentos no meio ambiente, índices econômicos e sociais são indicadores extremamente importantes nesse sentido.
Discussões sobre essa temática, no entanto, são fomentadas há décadas. Com o intuito de esclarecer o conceito de qualidade de vida, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a definiu, em 1990, como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.
Essa definição inclui seis domínios principais: saúde física, estado psicológico, níveis de independência, relacionamento social, características ambientais e padrão espiritual.
Desenvolvido pela prefeitura de Belo Horizonte em 1996, para atuar conjuntamente ao IDH, o Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU) conecta a qualidade de vida urbana aos elementos oferecidos pela cidade à população, como os equipamentos e serviços de saúde, educação e transportes.
Nesse sistema, que abrange 46 indicadores, são consideradas características físicas, construídas ou naturais relacionadas à acessibilidade espacial, o que significa, por exemplo, medir a distância entre moradias, postos de saúde e escolas. Contudo, os mentores da pesquisa afirmam que o novo conceito nunca chegou a ser aproveitado pelo Ministério das Cidades.
Por outro lado, o IDH Municipal, escolhido como índice referência, utiliza 135 indicadores para medir a qualidade de vida. Calculado a cada década a partir de dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice reúne aspectos do município, da saúde, renda, educação, moradia e população.
Ao falarmos de qualidade de vida e, sobretudo felicidade, é impossível não ter como referência o Butão. Localizado na região do Himalaia, o país aderiu à criação do conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB) em 1970. São 73 indicadores distribuídos em nove categorias: bom padrão de vida econômico; gestão equilibrada do tempo; bons critérios de governança; educação de qualidade; boa saúde; vitalidade comunitária; proteção ambiental; acesso à cultura e bem-estar psicológico.
A mensuração do nível de felicidade da população varia de zero a dez. Quanto mais próximo de dez, mais satisfeita está a sociedade. Feitas as devidas pontuações, cabe aos líderes de Estado decidir pelo índice mais eficiente. Afinal, quem faz o país é seu povo e quanto mais satisfeito ele está, mais caminhos se abrem ao desenvolvimento.
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